“И жизнь хороша и жить хорошо,,
- "Tanto a vida é boa quanto viver é bom."O maior telescópio de espelho líquido do mundo fica a 70 km de Vancouver, no Canadá, e conta com uma tigela de 6 metros de diâmetro cheia de mercúrio. A tigela gira, o que faz o metal líquido se erguer nas bordas e afundar ao centro, até atingir o formato parabólico necessário para concentrar a luz que vem do céu. O mesmo processo, com vasilhame giratório, seria usado na Lua - mas o mercúrio, nesse caso, é inadequado. Daí, o novo líquido.
O artigo na Nature defende a idéia do telescópio da Lua como complemento aos telescópios orbitais, como o Hubble e seu sucessor, o James Webb, que deverá ser lançado em 2013. Segundo o artigo, um telescópio lunar de espelho líquido poderia identificar objetos até 1.000 vezes mais tênues que os que estarão dentro da capacidade do Webb. O observatório na Lua seria, ainda, capaz de fazer imagens dos primórdios do Universo, até 1 bilhão de anos após o Big Bang, diz o principal autor do trabalho que descreve o novo espelho, o físico Ermanno Borra, da Universidade de Laval, no Canadá.
O espelho criado pela equipe de Borra é feito de um líquido iônico, revestido de cromo e prata - o revestimento flutua sobre o substrato.
Como o nome diz, o líquido iônico é formado por íons: partículas dotadas de carga elétrica, positiva e negativa. É essa característica que impede a substância de evaporar, mesmo em um vácuo como o da superfície da Lua. A energia que seria necessária para quebrar a atração entre os íons "é grande demais", explica Seddon. "Os íons não conseguem escapar para a fase de vapor, e portanto o líquido não evapora".
Embora o espelho criado pelos pesquisadores ainda não seja o ideal para a plicação lunar - o melhor seria um líquido que só se solidificasse a temperaturas abaixo de -130º C - Seddon diz que existem pelo menos um milhão de possíveis líquidos iônicos simples, formados por apenas um tipo de partícula positiva e um tipo de partícula negativa, e misturas de até três tipos desses líquidos podem gerar até um trilhão de combinações, o que deixa os autores do artigo otimistas quanto à aplicação de sua técnica.
Em comentário que acompanha o artigo da Nature, o químico Robin D. Rogers adverte que a seleção de um líquido iônico para uma aplicação específica é um processo árduo, "freqüentemente, de tentativa e erro". Borra, por sua vez, estima que, se a decisão de criar um telescópio de espelho líquido na Lua fosse tomada hoje, o equipamento estaria instalado e funcionando em "talvez 20 anos".
Fonte:http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/jun/20/213.htm?RSS
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