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Conforme apurou o jornalista Francisco Carlos de Assis, os indicadores de núcleo do IPCA de agosto mantiveram-se praticamente estáveis, com pequenas variações para cima ou para baixo, enquanto analistas consultados pelo AE Projeções esperavam recuo dos núcleos em linha com o IPCA cheio. "Teremos que ter o olhar rodando nos núcleos daqui para frente", disse.
Santos disse ainda que apesar de haver melhora na inflação corrente e ancoragem das expectativas de inflação na pesquisa Focus, as expectativas para 2009 continuam 0,50 ponto porcentual acima da meta de 4,5%, o que justifica mais uma alta de 0,75pp da Selic na próxima semana, uma alta de 0,50pp em outubro e uma última de 0,25pp em dezembro para encerrar o ciclo de aperto monetário.
EUA
A forte queda no número de postos de trabalho nos Estados Unidos é mais um sinal de que a economia norte-americana tende a crescer abaixo do potencial este ano e em 2009, disse Santos. "Os Estados Unidos estão purgando todos os excessos da liquidez abundante que existia anteriormente e de todas as tratativas feitas pelo BC americano para estimular a economia", disse Santos, referindo-se à época em que o Federal Reserve (Fed) era comandado por Alan Greenspan, quando os juros chegaram a 1%.
O mercado de trabalho norte-americano cortou 84 mil vagas de trabalho em agosto ante previsão de queda de 75 mil e desde o início do ano já cortou 605 mil empregos, levando o desemprego nos EUA ao maior nível dos últimos cinco anos, atingindo 6,1% em agosto.
Para Santos, a questão sobre se o país está em recessão deve continuar no "plano semântico. "A gente pode ter um país com sintomas de recessão, mesmo apresentando crescimento positivo, mas muito baixo, que é o caso dos EUA. Definir se vai ser recessão não me parece a maior preocupação. Não vai haver o estímulo que tivemos dos EUA num passado recente no desempenho da economia mundial. "Seja recessão ou não, a situação dos EUA não é boa de fato", comentou.
A retomada da economia, segundo Santos, não virá rápido, somente em 2010, sendo que os primeiros sinais de recuperação devem aparecer no final de 2009. O economista acredita que os EUA crescerão entre 1% e 1,5% este ano e no ano que vem e que o Fed não deverá mexer nos juros até o último trimestre de 2009.
"O Fed já deu mostras de que o instrumento de política monetária não vai ser mais utilizado", disse. Segundo ele, o foco do Fed agora está mais em melhorar o canal de crédito do que baratear custos. Para Santos, o Fed deve continuar aceitando créditos podres nos empréstimos para evitar o agravamento da crise financeira no país.
"Acho que o Fed já chegou à conclusão de que baixar juros mais ainda não vai resolver o problema. O problema está em fazer chegar os recursos a quem de fato precisa", afirmou. Logo, o próximo passo do Fed, no final de 2009, segundo o economista, deve ser o de subir os juros.
Para Santos, a inflação poderá recuar por causa da desaceleração da economia, mas observou que levará tempo para o CPI sair de um nível de 5%, que é o que projeta para a inflação deste ano, para ao redor de 2%, na zona de conforto do Fed. "A desinflação será lenta".
Desaceleração
A recessão poderá se confirmar antes na Europa do que nos Estados Unidos, disse Jankiel Santos. "Apesar de os Estados Unidos estarem passando por um processo de desaceleração, aparentemente a Europa está pior ainda e lá haveria espaço para corte de juros. Por isso, acho que o dólar deve pelo menos manter seu valor frente às demais moedas", avaliou.
Segundo Santos, os emergentes irão desacelerar, mas continuarão com desempenho melhor do que dos países desenvolvidos. "Temos todos os efeitos (aperto) da política monetária ainda para se materializar, o que deve ocorrer ao longo do 2º semestre e início do ano que vem. O mundo deve realmente passar por uma acomodação do crescimento. O que me parece um pouco exagerada é a expectativa de que os emergentes passem a crescer abaixo do potencial nos próximos anos. A gente vai ter uma desaceleração econômica, mas não vai ser o fim do mundo", disse.
Para o economista, o real, no entanto, não deve perder muito valor ante o dólar este ano. Ele espera que a moeda americana encerre o ano em R$ 1,65 e se valorize mais, indo para R$ 1,75, em 2009. Nesse cenário, o déficit em conta corrente poderá ser de US$ 25 bilhões este ano e US$ 27,5 bilhões em 2009.
Santos acredita que a Bovespa, por sua vez, poderá sofrer um pouco mais este ano, mas afirmou que não vê fundamentos para uma deterioração muito maior do mercado acionário brasileiro e acredita que caso se confirme um quadro de acomodação das commodities, isso irá beneficiar a bolsa e a inflação. "Não acho que haverá "bear market" (algo como queda acentuada) nos preços das commodities. Mas se os preços das commodities ficarem estáveis, para gente é maravilhoso", comentou.
Fonte:http://www.estadao.com.br/economia/not_eco236958,0.htm
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