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- "Tanto a vida é boa quanto viver é bom."
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No caso, trata-se do Google, que assumiu um duplo papel, de "casamenteiro" involuntário e ao mesmo tempo um estraga-prazeres por interesse pessoal.
A ascensão fenomenal do Google levou a Microsoft, empresa de tecnologia que há mais de duas décadas domina o mercado, a cortejar o Yahoo. Além disso, o sucesso do Google também enfraqueceu o Yahoo o suficiente para a Microsoft sentir que poderia comprar a companhia a um bom preço.
A empresa resultante de uma união entre Microsoft e Yahoo criaria uma concorrente poderosa no mercado. Assim, logo de início, o Google indicou que lutaria contra essa fusão junto aos órgãos antitruste em Washington e Bruxelas.
Mas, por outro lado, o Google teve um papel na morte do acordo agindo mais como amigo do que inimigo. Ele propôs autorizar o Yahoo a usar sua mais sofisticada tecnologia de busca de publicidade, que segundo algumas estimativas, significariam um bilhão de dólares extra por ano para o Yahoo. A parceria também propiciaria mais receita para o Google.
A perspectiva de uma parceria como essa animou a direção do Yahoo a exigir mais dinheiro da Microsoft, o que levou a companhia a repensar a sua estratégia.
Steven A. Ballmer, diretor executivo da Microsoft, citou a proposta parceria com o Google como a principal razão para não levar adiante a oferta hostil de compra.
"Um acordo desse tipo, com um provedor de busca dominante, torna a aquisição do Yahoo indesejável para nós", ele escreveu numa carta a Jerry Yang, diretor executivo do Yahoo, citando cinco razões específicas pelas quais o Google seria prejudicial para o Yahoo.
O Yahoo pode muito bem manter suas parcerias com o Google, seu principal concorrente, para melhorar o preço das suas ações, que sofreram uma queda de 15%, ou US$ 4,30 na segunda-feira*, fechando em US$ 24,37. As duas empresas recusaram-se a comentar o caso.
Portanto, não surpreende que, para os analistas do setor, o caso entre Microsoft e Yahoo teve um claro vencedor: o Google, cujas ações refletiram bem esse pensamento. Mais de US$ 4 bilhões foram adicionados ao valor da empresa, com um aumento de 2,34% do valor das suas ações.
Não faz ainda dez anos* que o Google emergiu como uma força poderosa no mercado, exercendo hoje um poder tremendo no mundo da tecnologia e mais além. O Google conseguiu até influenciar um leilão de freqüências de radiodifusão pelo governo. Forçou diversas empresas de telefonia celular a abrirem suas redes para os celulares de empresas concorrentes.
Sua influência é ainda mais espantosa pelo fato de que o seu poder econômico provém em grande parte de uma atividade simples, aparentemente prosaica, ou seja, a colocação de anúncios de texto interessantes na página frontal, no momento em que os usuários realizam suas buscas. Os anunciantes pagam por essa propaganda, - às vezes um dólar ou até menos, somente quando os internautas clicam neles. Num certo sentido, o Google criou um império altamente lucrativo de US$ 16,6 bilhões, recebendo um dólar por clique.
"É uma companhia que vai ter mais influência e mais controle sobre a estrutura do setor da informação mundial do que qualquer outra empresa", disse David B. Yoffie, professor da Harvard Business School. "O Google será a próxima Microsoft".
A missão determinada pelos dois fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, de organizar toda a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil é quase tão ambiciosa quanto a meta da Microsoft, no inicio dos anos 80, que era colocar um PC em cada mesa e em cada casa", disse Tim O' Reilly, diretor executivo da O' Reilly Media.
"A Microsoft conseguiu", disse O' Reilly, produtor da cúpula Web 2.0, uma importante conferência do setor. " Hoje, o Google tem uma meta incrivelmente audaciosa. De fato, grandes companhias surgem de grandes idéias e pessoas dispostas a ir em busca dessas idéias".
É essa combinação de poder econômico do Google e sua ambição ilimitada que provoca medo nos líderes do setor na área da tecnologia, e também no mundo da propaganda, da mídia e das telecomunicações. Em parte, porque o Google exerce seu poder de maneira mais sutil e mais eficiente do que jamais se viu qualquer outra empresa fazer.
Por exemplo, este ano o Google provocou alguns dos maiores concorrentes da indústria de telecomunicações. A empresa desempenhou um importante papel em persuadir a Comissão Federal de Comunicações (FCC) a impor condições de "livre acesso" num leilão de parte do espectro das ondas de transmissão radiofônica do país. As condições exigiam que toda rede usando estas ondas de transmissão permitisse a conexão através de qualquer telefone e a execução de qualquer software. Tal regra quebra o modelo de negócios estabelecido pela indústria de telefonia celular, dentro do qual as operadoras mantêm significante controle sobre o tipo de telefone que os seus fregueses podem usar.
O Google reforçou o seu lobby em prol destas condições com a promessa de dar um lance de ao menos US$ 4,6 bilhões de dólares, o preço mínimo estabelecido pelos regulamentadores do leilão para a freqüência determinada. O Google então deu o lance no valor indicado, não com a intenção de ganhar o leilão, mas simplesmente para obrigar a aceitação das condições de livre acesso. A Verizon Wireless afinal ganhou o direito de exploração da freqüência.
"Eles só queriam jogar estas obrigações nas costas de um concorrente", disse Scott Cleland, analista de telecomunicações e crítico habitual do Google.
Alguns legisladores chegaram a dizer que o papel do Google poderia ser descrito como o de quem "joga com o sistema". O Google discorda da acusação, dizendo que arriscou o próprio capital no leilão. Tanto o Google quanto a FCC disseram que as condições de livre acesso seriam benéficas para os consumidores.
"O Google pensou muito estrategicamente sobre a necessidade de causar impacto no mercado sem necessariamente gastar muito dinheiro", disse Yoffie. "Ser inteligente é recompensador."
Ele viu a mesma estratégia em funcionamento no negócio entre Microsoft e Yahoo. "Eles estragaram tudo ao dar ao conselho de administração da Yahoo a confiança na viabilidade da sua solução econômica caso recusassem a oferta da Microsoft", disse Yoffie.
Conforme cresce a influência do Google, a empresa pode enfrentar o mesmo tipo de escrutínio antitruste que abalou a Microsoft. Reguladores americanos e europeus investigaram a fusão do Google com a DoubleClick durante quase um ano antes de aprová-la. O departamento de justiça já começou a fazer perguntas quanto às implicações antitruste da possível parceria entre Google e Yahoo. E ainda assim faz pouco mais de um ano que Ballmer descreveu o Google como um mágico de um só truque em discurso para estudantes de administração na terra natal do Google, Stanford.
Em boa parte, isto permanece verdadeiro até hoje. Os anúncios de busca, bem como anúncios de texto similares que o Google coloca em dezenas de milhares de sites da web dos seus parceiros, ainda impulsionam a imensa maioria dos lucros da empresa. Mas é um mágico de um só truque que tem a agilidade e a segurança de um Houdini.
O domínio do Google sobre o ramo da publicidade de busca é irresistível. Em março, o Google respondia por quase 60% de todas as buscas realizadas nos Estados Unidos de acordo com a comScore. Isto equivalia a quase três vezes a parcela da Yahoo de 21,3%, e a mais de seis vezes a participação da Microsoft, de 9,4%. Em alguns países europeus, o predomínio do Google é ainda maior.
O ramo de publicidade de busca mostrou-se tão rentável que permitiu ao Google fazer grandes investimentos numa longa série de outros ramos. Poucos destes são rentáveis atualmente, mas os analistas dizem que muitos deles podem algum dia se transformar em empreendimentos bastante lucrativos.
O Google é agora o principal nome no ramo dos vídeos online depois de ter adquirido o YouTube em 2006; começou a oferecer, de maneira principalmente gratuita, um conjunto de programas de e-mail, processamento de texto, planilha eletrônica e outros softwares que concorrem com duas das principais galinhas de ovos dourados da Microsoft, os pacotes Office e Exchange; está preparando programas para telefones celulares que ainda este ano podem concorrer com o iPhone da Apple e outros aparelhos; começou a vender espaço publicitário na televisão, rádio e mídia impressa; e com a aquisição da DoubleClick este ano, o Google está indo atrás do mercado de banners e peças gráficas online, o principal ramo de atividades da Yahoo.
O sucesso do Google não foi predeterminado. A empresa ainda não provou se pode ganhar dinheiro em qualquer um destes mercados para além dos anúncios de texto online. Mesmo no ramo dos gráficos publicitários online - os banners, peças de vídeo e em redes de relacionamento, utilizados pelos marqueteiros para divulgar as marcas - o Google ainda é um concorrente relativamente pequeno. Trata-se de um mercado importante que, segundo se espera, um dia atingirá o mesmo tamanho do ramo da publicidade em mecanismos de busca.
"A busca é ótima, mas não se pode anunciar Coca-Cola nos mecanismos de busca", disse Peter Sealey, ex-chefe de marketing da Coca-Cola Company. "O Google está tentando competir neste âmbito, mas eles não têm o mesmo algoritmo que tinham para o mecanismo de busca."
*The New York Times publicou este texto no dia 6 de maio de 2008 como parte de uma série de artigos sobre o Google.
Fonte:http://www.estadao.com.br/tecnologia/not_tec237610,0.htm
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