“И жизнь хороша и жить хорошо,,
- "Tanto a vida é boa quanto viver é bom."Na cópia de serviço, vista pelo Estado, os dribles de Robinho, que redundaram no pênalti cometido sobre o atacante e convertido no primeiro gol do Santos, apareciam, junto com outras cenas de jogo, logo nas primeiras seqüências do longa-metragem. Nas pré-estréias do filme (ainda sem data de lançamento comercial), realizadas durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, as pedaladas do atual craque do Real Madrid, já haviam sumido da tela.
A história do sumiço pode ser contada em poucas linhas. Durante a produção do filme, a O2 estava negociando com Rogério, que, compreensivelmente, apresentava alguma resistência em liberar a cena. Mas com o jogador já havia um acordo em vista. Ele pedia certa quantidade em dinheiro, que deveria ser doada para uma instituição de caridade.
A cessão de imagens de Robinho para este lance não seria problema afinal, na época ele era atleta Nike. Além de ser parte interessada, pois a cena correu mundo e se tornou seu cartão de visitas. Com Rogério, a autorização estava encaminhada e o acordo, dado como certo.
Tudo empacou em outra ponta. O Corinthians se sentia incomodado com o uso dessa seqüência do jogo em que decidiu o título com o Santos. E como havia no filme outras imagens que deveriam ser autorizadas pelo clube, as pedaladas acabaram virando moeda de troca. O Corinthians liberaria tudo, desde que os dribles de Robinho em Rogério sumissem do mapa.
Pode parecer estranho que um filme dedicado à alegria do futebol e à arte do drible sofra tais restrições. Mas o fato é considerado normal. "É muito difícil mesmo fazer um documentário hoje em dia, tendo que pedir autorização a todos os envolvidos; e filme de futebol é pior ainda", diz um dos diretores da 02, que prefere ficar no anonimato.
Assim, Ginga teve de fazer jus ao nome e driblar infindáveis obstáculos para se tornar realidade. " Há a questão dos direitos de imagem, e tivemos que cuidar o tempo todo das autorizações (um documento que é apresentado à pessoa que foi gravada cedendo o direito para os usos específicos)", disse Marcelo Machado, um dos diretores do filme. Os outros dois são Tocha Alves e Hank Levine.
Esses cuidados legais transformam uma filmagem como esta em algo bastante complicado. "É uma questão delicada, porque para conseguir seqüencias com uma certa espontaneidade, nós diretores, estamos sempre querendo abrir câmera e gravar. Nesse caso a produção nos alertava: nem pensem em usar material não autorizado", diz Marcelo.
Isso acontece porque os anônimos, tanto quanto os famosos, como Rogério, Robinho, também precisam ceder suas imagens, e por escrito. Por exemplo: numa das melhores seqüências de Ginga, os documentaristas mostram como funciona o Peladão, o maior torneio de várzea do mundo, que ocorre em Manaus.
Lá, às vezes acontecem 150 jogos no mesmo dia, no sistema mata-mata. Quem ganha, segue em frente. Mas cada time tem também a sua "Rainha da Beleza". Paralelamente aos jogos, ocorrem os desfiles das "rainhas". E o resultado dos desfiles conta ponto para o torneio. Assim, um time pode perder no campo, mas se a sua rainha for eleita, ele segue adiante no torneio.
Muito legal, mas para que não haja problemas no futuro, as imagens de todos os participantes têm todas de ser autorizadas para o filme. "Quando fomos gravar o Peladão chegamos a usar uns 40 estagiários só passando autorizações", diz Marcelo Machado. "Um esquema bastante chato pra quem procurou trabalhar com equipes reduzidas e teve preocupações como não alterar demais o ambiente de gravação ou ter o contato direto com os personagens."
Às vezes, por incrível que pareça, é mais fácil trabalhar com os profissionais: "O Robinho e o Falcão, do futsal, que eram atletas Nike, gravaram cumprindo cláusulas de contrato", diz. Já outros garotos, que participavam dos jogos gravados, recebiam cachês.
"E os coadjuvantes vamos chamar assim os amigos, parentes, etc. ganhavam presentes: bolas, camisetas, tênis e chuteiras." Tudo tem de ser autorizado. Ou negociado. Só as pedaladas do Robinho eram inegociáveis.
Fonte:http://www.estadao.com.br/rss/esportes/2005/nov/05/20.htm
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