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Segundo ele, ainda falta treinar o pessoal de atendimento para o novo produto e fazer ajustes técnicos na rede e no call center, para que o produto seja oferecido. "Rapidamente vamos lançar um produto conforme a iniciativa do governo paulista para as camadas menos favorecidas", disse Felix. "A vontade é lançar este ano."
No último dia 15, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou decreto que isenta pacotes populares de internet banda larga da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A isenção vale para pacotes de até R$ 29,80 mensais, para velocidades de 200 Kbps a 1 megabit por segundo (Mbps). A alíquota de 25% continua a ser cobrada dos pacotes comercializados atualmente.
Hoje, a Net já oferece um produto para a classe C, o combo NetFone.com, por R$ 39,90, que inclui acesso à internet à velocidade de 256 Kbps, à telefonia fixa e a canais de TV aberta. Félix não acredita que a banda larga popular possa canibalizar o pacote existente. "O governo quer endereçar o programa claramente a quem ainda não tem conexão à internet. Se quem já tem resolver migrar para o pacote popular, isso desvirtuaria o objetivo do programa. A migração não faria sentido pela pequena diferença de preço", afirmou o presidente da Net. A migração não é proibida, mas supõe multa de acordo com o decreto do governo.
Em princípio, o novo pacote será oferecido em São Paulo, e a Net pretende estender a cobertura assim que o programa de banda larga popular for regulamentado em outros Estados. Ainda segundo Félix, motivos técnicos não impediriam o serviço de chegar a outras cidades, considerando a experiência com o combo NetFone.com. "Já temos esse produto na prateleira. Então, para oferecer o outro, é mais um processo de desmonte e re-empacotamento do que de inovação".
O impacto do novo produto sobre a receita anual da Net dependerá da adesão, mas Félix prevê que, se a companhia conquistar 10% da base potencial da população que acessará banda larga pela primeira vez, poderá adicionar cerca de R$ 100 milhões ao faturamento.
Investimentos
No acumulado do ano até setembro, a Net Serviços fez investimentos de aproximadamente R$ 700 milhões. A previsão é encerrar o ano cumprindo a projeção (guidance) de R$ 1 bilhão em capex (capital expenditure), afirmou o diretor executivo de finanças e de Relações com Investidores, João Elek, em teleconferência com jornalistas para comentar os resultados do terceiro trimestre.
O executivo ressaltou ainda que a Net pretende manter a proporção do capex variável (para a compra de equipamentos e instalações) em torno de 80% e a fixa (para melhoria da qualidade da rede) em 20%. No terceiro trimestre, o capex somou R$ 238,5 milhões, uma redução de 8% na comparação com o terceiro trimestre de 2008, principalmente devido à valorização do real frente ao dólar, que barateou a compra de equipamentos importados. Cerca de 60% da conta de capex refere-se a itens importados, explica Elek, completando que no terceiro trimestre o câmbio médio foi de R$ 1,78 contra R$ 1,95 no mesmo intervalo de 2008. "Ao mesmo tempo em que houve ganho cambial por importar mais barato, o efeito foi neutralizado em operações financeiras, como o hedge (proteção) de swap cambial. O efeito caixa é o mesmo", destacou Elek.
Nas operações financeiras, Elek afirma que a taxação de Imposto sobre Operações Financeiras de 2% sobre capital estrangeiro não afetará os planos da companhia, que tem títulos emitidos no exterior. O bônus perpétuo permite resgate a partir de novembro próximo, "mas não há planos para isso no momento", disse o executivo, mencionando que os esforços são para alongar o perfil da dívida e com isso liberar o fluxo de caixa para sustentar o crescimento da companhia pelos próximos dois anos. O crescimento será orgânico ou por aquisições, conforme as oportunidades, "embora seja difícil prevê-las", disse Elek. E completou: "é bom ter caixa sem necessidade de recorrer ao mercado de capitais".
Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/economia,net-lancara-banda-larga-popular-por-r-2980-em-sao-paulo,454222,0.htm
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