“И жизнь хороша и жить хорошо,,
- "Tanto a vida é boa quanto viver é bom."Mas a atividade está ameaçada pela entrada do produto chinês, favorecido pelo dólar baixo em relação ao real. Justamente agora que o bicho de pelúcia virou símbolo da cidade e começa a atrair turistas. O predador que ameaça nossos bichinhos é o tigre asiático, afirma Denise Manzoni, da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Tabatinga. Os chineses, segundo ela, colocam seus produtos no Brasil com preços mais baixos. "Eles têm tecnologia, mas é uma concorrência desleal, pois usam mão-de-obra baratíssima.
A saída para os fabricantes do interior de São Paulo tem sido a criatividade. Os tradicionais tigre e leão foram substituídos por aves e animais da nossa fauna, como araras, macacos, jacarés e sapos. Nossa ararinha virou febre e a gente nem dá conta de tantos pedidos, diz a empresária Mileni Eugênio Ferri Revoredo, da Nicoli Ferri.
A empresa contratou um designer, abriu um ponto-de-venda direto e passou a produzir também sob encomenda. O cliente dá a idéia e nós desenvolvemos o produto, diz o marido e sócio de Mileni, José Santo Revoredo. Assim, venderam 55 mil bichos a uma empresa.
Outros clientes já trazem a idéia pronta. A lojista Lazara Cristina Roncari, de Franca, quer bichos na forma de puff para sentar. Muita gente está procurando, justificou.
A empresa concorre diretamente com os chineses atendendo lojistas da Rua 25 de Março, em São Paulo dribla a concorrência oferecendo mix de produtos. "Como a importação é fechada com muita antecedência e em grande quantidade, nós temos a vantagem da novidade e do menor volume, diz Revoredo. Os bichinhos com cara de gente e fazendo pose são um diferencial nessa disputa.
A empresa foi buscar uma das armas dos chineses a tecnologia. Importamos deles as máquinas de cortar os moldes, que o Brasil não produz. O produto é feito, predominantemente, de um tecido conhecido como plush. Os moldes são cortados, costurados e recheados com um material à base de fibra de silicone ou manta de edredon.
A Nicoli Ferri passou a importar também parte dos tecidos da China. Sai 35% mais barato que o nacional, produzido em Santa Catarina, e ajuda a bancar a expansão da empresa que dobrou a produção nos últimos três anos. Estamos fazendo o que eles fazem com a gente: buscamos a matéria-prima lá e agregamos valor aqui.
A Câmara Setorial do Bicho de Pelúcia, criada há dois anos na Associação Comercial, pretende iniciar a compra conjunta de matéria-prima para reduzir custos e aumentar o poder de negociação.O ideal é comprar aqui, para ajudar também a indústria de tecidos nacional, disse Denise.
Há 8 anos, a fabricação de pelúcia era uma atividade artesanal, de fundo de quintal, segundo o prefeito José Luiz Quarteiro (PSB). Agora, é profissional e ocupa a mão-de-obra que ficava ociosa no período de entressafra agrícola.
Ele lembra que, durante o ciclo do café, a cidade teve população maior que a atual. Mas as crises na agricultura motivaram o êxodo. Moradores começaram a produzir bichinhos em casa para vender na vizinha Ibitinga, a terra dos bordados. Foi assim que a cidade achou sua vocação. Hoje, nós somos a capital brasileira do bicho de pelúcia, diz o prefeito.
O ex-tesoureiro da prefeitura, Adilson Aparecido Galbiatti, deixou o cargo em 2001 para se arriscar na atividade. Começou em casa, com três pessoas. Hoje, tenho 20 funcionários e 18 colaboradores terceirizados.Ele repassa os moldes para as costureiras donas-de-casa que receberam treinamento e transformaram quartos em pequenos ateliês.
A Terê Baby, empresa de Galbiatti, é uma das principais da cidade. Para a gestora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequena Empresas (Sebrae), Patrícia Ferrari Peceguini, Tabatinga está no caminho certo para enfrentar a concorrência. Além de melhorar a produtividade, têm de usar as armas as brasileiras da criatividade e da inovação."
Fonte:http://www.estadao.com.br/ultimas/economia/noticias/2007/mai/20/164.htm?RSS
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